Nessa última semana aconteceu um episodio em sala de aula que gerou polêmica.
Em minha sala de aula tem uma pia, com toda instalação e água corrente.
Um aluno ao utiliza-la, avistou uma lesma no seu interior e chamou os demais colegas para vê-la. Queriam matar o animal, precisei intervir conversando com os alunos, disse que o bichinho era indefeso, que não estava nos prejudicando, pedi para que ninguém tocasse nele.
Espontaneamente um aluno pegou o bicho e colocou na beira da janela, os demais colegas ficaram surpresos com a atitude do menino.
Esse menino chama-se João e ele contou que não tinha medo de pegar a lesma, pois pega os passarinhos que mata com uma funda e os atira no valão perto da sua casa.
A aula parou e todos ficaram em silêncio apavorados com o relato do João.
Fizemos uma conversa sobre a importância dos animais em nossa vida, principalmente a dos pássaros, alguns coleguinhas posicionaram-se contra a atitude do menino, falaram inclusive sobre a fé e a religião, dizendo que com certeza “Papai do Céu” iria castiga-lo.
Perguntei ao menino onde ficava o “valão” que os passarinhos mortos eram jogados, descobri que se tratava do Arroio Feijó, então aproveitamos para falar sobre preservação do arroio, que a chuva na qual alagava a casa do João era causada devido ao lixo depositado nos esgotos e no arroio.
No dia seguinte o João trouxe a “funda” para mostrar as seus colegas seu brinquedo preferido.
Disse: - Vocês duvidaram que eu tinha uma funda então eu trouxe para mostrá-la “eu mato a cobra e mostro o pau”.
Recolhi a funda, novamente fizemos uma conversa sobre a postura errada do menino, um colega fez uma comparação da funda com um revolver, matar um pássaro com uma “fundada” é o mesmo que uma pessoa matar outra com um tiro.
Após a aula terminar fui examinar a funda e o que pude observar é que ela era bem feita, que não podia ser confeccionada por uma criança, isso foi o que mais me causou revolta, como um adulto tem a coragem de incentivar uma criança a fazer maldades com os animais. Vejo o aluno como um inocente de seis anos que reproduz a violência contra a natureza, através de incentivos vividos por ele em seu meio social.